Voltamos: como ser conservador na era do terrorismo digital

05/03/2013 23:20

Antonio José de Pinho

Nosso blog da Juventude Conservadora retorna à internet após alguns meses.

 

Tive a ideia de criar tal movimento na UFSC após ter entrado em contato com o blog da Juventude Conservadora da UnB, de Felipe Melo. Via a urgência de levar tal ideia para o sul do Brasil, em virtude da delicada situação em que vive o povo brasileiro após uma década de um governo abertamente comunista, que apoia toda sorte de regimes autoritários, como Cuba, Venezuela e Iran.

 

É para mim uma realidade altamente angustiante ver-se cercado por uma cultura e por um meio a cada dia mais e mais anticristão, contrário aos valores legados historicamente pelo Ocidente, cujo principal é o primado da liberdade da consciência individual perante Deus. É hoje inegável que há forças nacionais e internacionais que trabalham conscientemente para a supressão dessa consciência, em detrimento da qual se erguem as bases de um mundo novo, no qual a individualidade não tem lugar. Nesse novo contexto, a autonomia do indivíduo é nula, porque instâncias invisíveis e virtualmente onipotentes de poder – estatais ou não –, de ramificações globais, já decidiram o destino de todos nós. E o pior de tudo, não fomos consultados, nem muito menos sabemos o que se passa nessas instâncias de poder. Muito pior ainda, o cidadão médio nem sabe da existência de tais poderes, e do fluxo histórico em que vive. Fomos todos julgados e condenados, como se fôssemos personagens do misterioso e surreal O Processo de Kafka. Tal como K., não sabemos quem nos julga. Porém, entre K. e nós há uma diferença drástica: K. fora informado de que estava sendo processado, ao passo que nós não. Condenados como estamos, pelos globalistas, as penas já estão a ser aplicadas, e ainda assim continuamos sem ser informados. Tudo se dá no mais completo silêncio. Vivemos imersos numa mais perfeita revolução silenciosa.

 

A América Latina caminha a largos passos rumo à formação de um grande bloco comunista, totalitário, cujo comando vem de Cuba. Para que isso não ocorra, cabe o início de um movimento nacional, consciente de sua missão diante da atual realidade política. Essa reação deva saber onde está o inimigo. Deve saber quem são os reais adversários e sua forma de ação. Para tanto necessitamos formar uma nova geração de pensadores conservadores que saibam onde está o inimigo, suas origens e forma de ação. Essa geração tem que ter uma visão coerente da realidade, exorcizada de todos os automatismos de pensamento e da mentalidade revolucionária de fundo marxista.

 

O grande adversário da liberdade na América Latina é o Foro de São Paulo, fundado por Fidel Castro e Lula, e suas dezenas de ramificações partidárias. O comunismo cubano nos liga a poderes muitos maiores, como o bloco formado por Rússia e China, os quais apóiam tanto o sanguinário comunismo das Coréia do Norte, como o fundamentalismo islâmico enraizado em nações como o Iran e propagado por todo o Oriente Médio pela ação da Fraternidade Mulçumana. Respaldando todas essas ramificações de poder, encontra-se a doutrina política eurasiana de Alexandre Dugin, professor em Moscou, e mentor intelectual do regime anti-Ocidental de Putin, cuja meta maior é a destruição dos EUA.

 

Além disso, a propagação do comunismo em nosso meio não estaria se dando com tanto sucesso se não fosse ancorada pelo marxismo dominante no meio da cultura – universidades e mídia.

 

Colocados diante desse quadro, estando cercados por todos os lados – educação, cultura, mídia, política – cabe-nos fazer uma pergunta: o que fazer diante de tamanha rede de poder de intenções destrutivas e totalitárias?

Antes de tudo, cabe-nos o estudo e a análise da situação, porque antes da guerra o inimigo tem que ser identificado. A primeira coisa é despertar, não se deixar ser enganado pelas ondas ideológicas em voga. E ocorre que hoje grande parte da intelectualidade brasileira está caminhando cega pela estrada globalista e esquerdista. Tendo formação precária não pode saber onde está o inimigo. O problema é que, como é fácil deduzir, a maioria absoluta da intelectualidade brasileira é parte do próprio inimigo, trabalhando inconscientemente, muitas vezes, para um propósito que desconhecem; servindo a um senhor cujo nome ignora.

 

Para barrar esse avanço do marxismo em nosso continente cabe aos conservadores atuar também nessas duas frentes: mídia e universidades. Pois dessas duas frentes sairá o apoio para uma posterior atuação política. Seremos derrotados? Isso não importa, pois ao menos não incorreremos no pecado da omissão. Porque ver o mal e nada fazer é já praticar o mal.

Aqui está nossa missão: reunir jovens universitários que estejam dispostos a estudar a atual realidade sócio-histórica e que atuem na cultura, numa verdadeira guerra cultural de longo prazo contra a guerra cultural silenciosa do marxismo. Movimentos universitários conservadores – como o pioneiro da UnB ou o da UFSC – têm uma importância histórica única, pois neles agora é que está se gestando uma nova intelectualidade a qual caberá restaurar nossa cultura ao alto nível que tinha até os anos 50/60 do século vinte – tempo em que a alta cultura brasileira se equiparava em muitos campos a alta cultura europeia –, antes maciça infiltração na esquerda marxista nos meios culturais, com o claro propósito de converter nossa nação ao comunismo, corroendo todas as suas bases cristãs.

 

Cabe-nos defender os valores legados pela civilização Ocidental Cristã, os quais têm sido destruídos de forma vil. Cabe-nos defender a cultura contra aqueles que querem reescrever toda a história, olhando o mundo através do filtro maligno dos olhos destrutivos de Marx. Cabe-nos defender a verdadeira liberdade, a liberdade do indivíduo, contra toda forma de coletivismo totalitário, contra toda forma de Estado onipresente e onipotente. E essa luta inicia na cultura, nas universidades.

 

Com esse pensamento nasceu o blog da Juventude Conservadora da UFSC: criar um veículo de informação e cultura universitária que quebrasse a hegemonia esquedista reinante. Foi uma luta inicialmente solitária. Não sabia se daria certo, mas sabia que algo tinha que ser feito. Logo foram aparecendo outros e mais outros. Uma rede de contatos e amizades muito rapidamente foi estabelecida, entre pessoas que tinham as mesmas ideias, propósitos e preocupações diante do atual estado de coisas. Em pouquíssimo tempo eu não estava mais só, e formou-se um grupo de estudantes que querem entender a atual sociedade, estudando-a.

 

Muito rapidamente vi que a minoria conservadora não era tão minoria assim. A repercussão no blog foi muito além do esperado. Em um mês, o último em que ficou no ar, ele teve 12 mil acessos. Isso foi em meados de 2012, na época em que as universidades federais estavam em greve. Grande parte do causador dessa tamanha repercussão foi um artigo no qual tratei da falta de razão do movimento grevista dos professores. O artigo foi lido por milhares de pessoas, muitas das quais da própria UFSC. Ou seja, a universidade não ignorava nossa existência, muito pelo contrário, ouvia-nos. Não sei se a larga repercussão de meu artigo teve alguma influência nisso, mas o movimento grevista dentro da UFSC literalmente se dividiu. Nas primeiras assembléias quase a metade dos professores votaram contra a greve, que acabou durando pouco, terminando bem antes que a maioria das outras universidades federais. No fim das contas, o início das aulas no segundo semestre de 2012 foi minimamente prejudicado na UFSC, ao contrário de outras universidades, como a federal do Maranhão, na qual o ano letivo de 2012 só terminou em 2013, fazendo com que os alunos não tivessem férias de verão.

 

O grande impacto que o blog da Juventude Conservadora da UFSC estava tento fez, obviamente, muitos inimigos dentro da esquerda. Toda a repercussão que narrei acima se deu em apenas três meses de existência do blog. Criado no início de junho de 2012, no dia 22 de agosto soube que ele estava misteriosamente fora do ar. Inicialmente pensei que fosse algo perpetrado por oposicionistas locais, mas o ataque que o blog sofreu foi algo a nível nacional. Vários outros sites e blogs conservares foram atacados exatamente na mesma época, como o blog de Julio Severo ou o Mídia Sem Máscara. Estava claro que era uma ação da esquerda articulada a nível nacional. Apesar da hegemonia da esquerda na grande mídia brasileira, tem se formado, na internet, uma mídia alternativa de alta qualidade e de grande repercussão. Basta ver o que ocorreu com o próprio blog Juventude Conservadora da UFSC, em sua primeira versão. Essa mídia alternativa e conservadora é a única na qual se pode confiar, e ela está chegando a um grande número de pessoas, quebrando o muro de silêncio da deliberada operação de desinformação da grande mídia. O pensamento conservador está sendo ouvido por cada vez mais pessoas pela internet, e isso preocupa enormemente a esquerda, que luta por manter sua hegemonia. E, para não perder a batalha na internet, a esquerda retorna às suas raízes de guerrilha.

Como é possível ver na própria página oficial do PT, o partido de Lula está deliberadamente promovendo o banditismo virtual. Findo o tempo da guerrilha armada, do período militar, o PT e toda a esquerda passaram três décadas lutando somente na silenciosa guerra cultural para inculcar em todo o povo a mentalidade esquerdista e revolucionária. Agora retornam a guerrilha, só que não tem mais o fuzil na mão, e sim o computador. Para exemplificar essa nova forma de terrorismo, em maio de 2012 o PT realizou, no Paraná, um encontro sobre “militância virtual” (1). Quem conhece o passado de José Dirceu e Dilma – além de tantos outros –, inegavelmente ligados ao terrorismo de esquerda, que assolou o Brasil nos anos 60 e 70, sabe que no dicionário do PT “militância” é sinônimo de “guerrilha”. Isso confessa o próprio PT em seu site oficial, no qual localizei um artigo que faz uso aberto da expressão “guerrilha virtual”. O mesmo artigo reproduz as palavras de Sérgio Amadeu da Silveira numa deliberada defesa de ações de hacker na internet para uso político. Reproduzo aqui parte desse artigo:

 

 

“[...] a comunicação em rede abriu espaço para pequenos e importantes atores. Décadas depois, os hackers, que surgem nos anos 60 com a utopia “democratizar a informação é democratizar o poder”, se juntam aos ativistas sociais e hoje o ambiente da internet se transforma em palco para inúmeras lutas, a partir da ação dos ciber e hackerativistas.

“A partir dos anos 90, os hackers se politizaram, porque boa parte integra o movimento de Software Livre e, de repente, teve que passar a enfrentar o Estado para poder exercer seu hobby, que é desenvolver códigos e compartilhar conhecimento. Tiveram que se coletivizar para enfrentar as leis de propriedade intelectual, que se enrijeceram no mundo inteiro”, explicou Sérgio Amadeu.

“Hoje, uma das maiores expressões globais no novo ativismo digital são os Anonymous, um modelo de ação que nasce nos Estados Unidos entre ativistas, artistas e hackers e que passou a ter importância no mundo inteiro. Usando as técnicas do hackeamento e da hipertrofia, realizaram a Operação Payback, em protesto à retirada do site do Wikileaks pelos Estados Unidos e ao corte do financiamento do site de denúncias através de cartões de crédito.

““Quando fizeram isso, já havia 800 espelhos idênticos do Wikileaks no mundo. Ao mesmo tempo, sobrecarregaram o servidor dos cartões de crédito até ele cair, gerando milhões em prejuízo em todo o mundo. Isso é hipertrofiar, inverter a lógica. Não é crime, é protesto digital”, afirma Sérgio Amadeu. “A nova lógica dos movimentos, aqui na América Latina inclusive, onde Brasil e Argentina são pontas, não é mais “Proletários de todo mundo, uni-vos”. É “Hackers de todo o mundo, dispersem-se”, acrescentou.” (2)

 

 

Como assim, “não é crime, é protesto digital”? O que os hackers fazem? Derrubam sites, roubam dados, infectam computadores. Isso tudo é crime, seja qual for o propósito, político ou não. Porém, o PT e suas cabeças “pensantes” crêem que se é para ativismo político tudo vale, inclusive terrorismo digital.

 

Vemos então uma estranha coincidência, o PT em maio de 2012 realiza eventos de “militância virtual”, e em junho os sites conservadores são alvo de criminosos ataques. Não estou apontando responsáveis, mas há aqui algo bem estranho, você não acha?

 

O óbvio é que o PT está formando militantes para guerrilha virtual, e isso não escondem de ninguém. O próprio site deles diz tudo. A mentalidade criminosa e terrorista do PT continua a mesma de seus fundadores, apenas mudaram de armas, jogaram as balas fora e se conectaram a internet para calar a boca virtual de seus opositores.

 

O vínculo do PT com o terrorismo digital tornou-se ainda mais evidente quando foi divulgado que Ricardo Poppi Martins – militante do PT e coordenador-geral de Novas Mídias, cargo subordinado a Secretaria-Geral da presidência – foi para Cuba em fevereiro de 2013 participar de um evento “sobre técnicas de ‘ciberguerra’ e ‘novas formas de comunicação de rede e batalhas virtuais’” (3). Que intenção há no governo brasileiro em enviar um representante para a ilha cubana para participar de tal evento? Odiando mortalmente toda forma de pensamento conservador, Dilma e Lula vão obviamente acobertar toda forma de ataque a sites conservadores – já atacados em 2012 por criminosos até agora desconhecidos.

 

Dominada toda a grande mídia, que se cala diante dos crimes do governo, alimentada por centenas de milhões de reais dos cofres públicos, resta calar as vozes dissidentes que resistem solitárias e dispersas pela internet. Vozes essas, felizmente, que estão incomodando cada vez mais gente.

 

Referências:

 

(1) PT Paraná realiza encontro para militantes virtuais. http://www.pt.org.br/noticias/view/pt_parana_realiza_encontro_para_militantes_virtuais

 

(2) Debate: Ativismo digital enfrenta desafios para ganhar ruas na América Latina. http://www.pt.org.br/noticias/view/ativismo_digital_enfrenta_desafios_para_ganhar_ruas_na_america_latina

(3) Revista Veja, edição 2309, pág. 62-3.

Fonte:

http://cibercronicas.blogspot.com.br/2013/02/voltamos-como-ser-conservador-na-era-do.html