Quem é mais imbecil? Aquele que escreve ou aquele segue? (Sobre o texto “Péssimo mau gosto” do comediante Gregorio Duvivier, um dos criadores do portal de humor Porta dos Fundos).

14/01/2014 20:24

Por. Alessandro Barreta Garcia

 

O texto do comediante Gregorio Duvivier, nos leva a duas conclusões; ele não entende nada sobre história geral; b. ele possui uma agenda ampla, igual a dos marxistas culturais. O texto do comediante Gregorio Duvivier foi publicado na íntegra em:

 http://www1.folha.uol.com.br/colunas/gregorioduvivier/2014/01/1396869-pessimo-mau-gosto.shtml

 

Considerações sobre suas asneiras a respeito da história.

Lembramos aqui que a teoria heliocêntrica foi iniciada por Aristarco de Samos no século III a/C.

Vamos ver como a história ocorreu. Galileu apresenta sua teoria no início do século XVII, precisamente em 1610. Naquele momento foi saudado com entusiasmo pelos eminentes eclesiásticos.  Em 1612, tornava pública sua teoria. A Igreja não contrariava a propagação de tal teoria, muito pelo contrário, incentivava seu trabalho. Apenas como deveria ser a aceitava naquele momento, apenas como uma hipótese, pois, literalmente não existia comprovação científica (WOODS, 2008; AQUINO, 2012). Tal comprovação só viria a ocorrer em 1851 com o pêndulo de Léon Foucault que o pendurou no ápice do domo do Panteão de Paris. Quem será o imbecil nessa história?

Galileu insistiu em ensinar como verdade, aquilo que era naquele momento, apenas uma hipótese. A culpa é, portanto do próprio Galileu ao não fazer ressalvas quanto aos seus ensinamentos, acrescenta Langford (WOODS, 2008).  Em 1616, Galileu foi alertado a não propagar mais sua hipótese como verdade, Galileu concordou e continuou suas atividades normalmente.

Não seguindo as recomendações de apenas ensinar sua teoria como hipótese, Galileu publica em 1632 seu; “Diálogo sobre os dois grandes sistemas do mundo”, um ano após a publicação, Galileu foi considerado suspeito de desrespeitar a Igreja.

Ademais, em ampla revisão, diversos estudiosos entre eles Oven Gingerich, padre William Wallace e Joseph Zycinski concluíram que Galileu não foi acusado e nem condenado por heresia, ele foi apenas acusado de desobediência (AQUINO, 2012). Por conseguinte, o processo contra Galileu foi perfeitamente justo, visto que desrespeitava a Igreja, e não dispunha de meios técnicos para comprovar sua hipótese. Por fim, este item é abordado inequivocamente como ignorância, na melhor das hipóteses.

O Papa João Paulo II a partir de estudos iniciados em 1981 declara em 1992, reconhecimento dos erros dos contemporâneos de Galileu (AQUINO, 2012).  Entretanto, estudos posteriores comprovaram que o Papa João Paulo II, tinha a preocupação em retirar a má impressão que a Igreja tinha a respeito do caso. A Igreja seria uma inimiga da ciência. Uma absurda mentira é claro. Essa manipulação da verdade teve sua origem no Iluminismo. Ademias, o Papa Bento XIV em 1741 já havia reabilitado Galileu, retirando suas obras do índex.

Galileu foi condenado a três anos de prisão, de fato prisão domiciliar, e não perpétua como o comediante Gregorio Duvivier (do portal de humor Porta dos Fundos) relata com desonestidade intelectual.

Giordano Bruno foi processado por causa de suas heresias, fugiu para Genebra e lá foi processado pelos calvinistas em 1580 (AQUINO, 2012).  Teve problemas em Paris, Londres e Oxford. Foi para em Veneza, em 1592, e de lá para várias outras cidades. Para entender um pouco a mentalidade deste “ilustre” Giordano Bruno, é preciso saber que ele defendia que Aristóteles era um estúpido, Aristóteles é reconhecidamente um dos, se não for o maior, filosofo que a humanidade já conheceu. Quando de sua permanência em Veneza, o Grão-Duque Giovanni Mocenigo, que havia contratado Giordano Bruno, certificou-se de seu conhecimento, ficou chocado com suas heresias. Grão-Duque o acusou diante do Santo Oficio, e em 1592, inicia-se o processo. Giordano Bruno é enviado a Roma em 1593. Recusou retratar-se em oito acusações, foi condenado e teve oito dias para se retratar. Giordano Bruno não se retratou. Em 1600, Giordano Bruno foi para a fogueira. Para entender um pouco do Santo Oficio sugiro a leitura de: “Como a ideia de inquisição eclesiástica alimenta o cérebro dos idiotas úteis”.

Ademais, a condenação de Giordano Bruno, não está relacionada com a teoria heliocêntrica.

Quanto ao aborto de fetos anencéfalos, sugiro assistir o pronunciamento do ex-ministro do STF, Cezar Peluso: http://www.youtube.com/watch?v=ffYI9o6953w

Em fim, ser contrário aos itens expostos no final do texto do comediante é natural da Igreja, ela visa assegurar seus valores, pois esta é inclinada a família tradicional, a vida e a Deus. Como diria o filosofo pré-socrático Heráclito; Jamais poderás encontrar os limites da alma, por mais que percorras seus caminhos, tão profundo é o seu logos”. Que Deus salve aqueles que lêem, pois aqueles que escrevem já estão contaminados pela ignorância e desonestidade intelectual. Salve as exceções.

 

Referências

AQUINO, F. Para entender a Inquisição. 7ª Ed. Lorena, Cléofas, 2012.

WOODS JR, T. E. Como a Igreja Católica construiu a civilização ocidental. São Paulo: Quadrante, 2008.