Ocupação da Vila Cruzeiro/RJ - Ou porque o Governo Federal não deve se intrometer em São Paulo

20/11/2012 12:13

Por Alessandro Barreta Garcia

            A invasão da Vila Cruzeiro/RJ nos parecia naquele momento (em 25/11/10)[1] mais um grande Circo do que efetivamente um desmantelamento de uma organização criminosa. Segundo estimativas, cerca de 20 mil fuzis deveriam existir em posse dos traficantes, bom, apenas 20 ou um pouco mais, ou seja, um número insignificante foi encontrado naqueles dias. Já o número de traficantes perigosos estimava-se que cerca de 500 estariam no morro. Quantos mesmo foram presos?

            Quanto aos tanques de guerra utilizados na operação, isso só comprova uma coisa, a PM do Rio encontra-se incapaz de agir contra o crime organizado (culpa do Estado). Já o Exército encontra-se incapaz de dizer não a mais um famigerado ataque ideológico endereçado a uma das mais importantes instituições do Estado, o Exército. Com tamanha demonstração de desorganização, a pergunta é clara. Isto foi intencional? Por que usar o Exército para não prender ninguém?

            Neste contexto, Estado e Governo Federal não tinham certeza nem mesmo da existência ou não de redes de esgotos (ou tinham e deixaram aqueles esgotos como uma rota de fuga). Essa ideia de usar as forças armadas é só mais uma forma de ridicularizar os militares do Exército ou da Marinha. Sem contar, aquela cena dos traficantes fugindo em massa para o morro do Alemão, aquilo é a maior prova de desinteligência, incompetência e afronta a inteligência de qualquer cidadão em pleno uso de sua razão. Os traficantes também demonstraram desordem, ainda assim, o Governo Federal conseguiu apresentar confusão ainda maior.

            Apesar de grande surto de violência em São Paulo. A cidade possui o mais baixo índice de violência do Brasil[2], suas favelas não estão dominadas pelo narcotráfico como ocorre no Rio de Janeiro, e em São Paulo só há uma resposta possível, a intensificação do policiamento.

            Reinaldo Azevedo apresenta que:

Em 10 anos, segundo o Mapa da Violência, o número de homicídios por 100 mil habitantes no Estado de São Paulo caiu 67% — de 42,2 para 13,9 (hoje, está abaixo disso). A queda não se deu apenas em números relativos, não! Em 2000, houve 15.631 assassinatos no Estado; em 2010, 5.745 — queda, pois, de 63,2 em números absolutos (AZEVEDO, 2012)[3].

            A Policia Militar do Estado de São Paulo é a mais bem preparada do Brasil. Falta muito sim, porém, em comparação a outros Estados, não muito. É São Paulo que precisa de ajuda? A PM paulista é modelo, principalmente no método Giraldi, um procedimento padrão de tiro defensivo.

            A Policia Militar de SP é também referência[4] em tecnologia, sendo que diversos Estados se utilizam do Fotocrim (um banco de dados criado pela PM Paulista). Frequentemente outros Estados mandam seus policiais para visitas técnicas, onde aprendem a operar com eficiência seus sistemas de gerenciamento de chamadas de emergência entre outros sistemas como a Polícia Comunitária.

            É evidente que quando o Governo Federal oferece apoio a Segurança Pública de São Paulo, esta oferta é política e ideológica, pois, diversos outros Estados no Brasil precisam de muito mais apoio do que o Estado de São Paulo[5]. São Paulo na realidade, apesar de seus problemas (significativamente menores que os outros Estados) oferecem seu modelo aos outros, exatamente o contrário do que o Governo Federal quer pregar.

            Publicado originalmente no MAC:

http://aliancacidada.wordpress.com/2012/11/08/ocupacao-da-vila-cruzeirorj-ou-porque-o-governo-federal-nao-deve-se-intrometer-em-sao-paulo/