BASE REFERENCIAL PARA NARRATIVAS: POÉTICA, NATURALISTA, RETÓRICA, DIALÉTICA, EPICURISTA, ESTOICISTA E METÓDICA.

04/03/2012 12:59

Autor: Prof. Alessandro Barreta Garcia

 

POESIA, NATURALISMO, RETÓRICA E DIALÉTICA.

 

Muitas são as inspirações para iniciarmos um discurso saudosista da poesia (de estrutura mito-poético) na Antiguidade grega. Ainda hoje, estamos cercados dos mais diversos conceitos desse passado antigo; medida, totalidade, justiça, injustiça, beleza, feiura, certo ou errado, são alguns dos mais diversos exemplos que podemos citar. Esses elementos devem mesclar, portanto, não deve ficar claro ou mesmo categórico a verdade ou falsidade dos elementos discutidos nas narrativas, pois se isso ocorrer não será mais poesia ou mito.

Para o naturalismo, ou seja, o conhecimento que passa pela natureza a origem das coisas, os filósofos pré – socráticos nos informam uma verdade baseada em razões. É possível aceitá-las como verdadeira a partir de suas razões, porém são incompletas, pois levam em consideração apenas as aparências. Terra, água, fogo e ar são algumas das explicações na natureza a explicar a origem do cosmo. Para a educação física vale dizer que o referencial na linguagem explicativa do naturalismo deve ser pautado no corpo em movimento. Portanto apesar de compreender que o movimento é razão e experiência em conjunto e que o cognitivo é evidentemente importante, apenas o movimento é importante em si. Esse movimento é correto ou incorreto, é bonito ou feio. Não fazendo juízo de valor desse movimento, se é belo ou feio em sua essência, se é belo ou feio moralmente, e sim se ele é perfeito tecnicamente.

            Na retórica como principio de linguagem e sendo analisada no ponto de vista filosófico e político serve para nos convencer sobre algo. Existe, portanto, contrário ao elemento poético um desejo de dizer a verdade, mesmo que essa verdade não exista de fato como conclusão. Na realidade, segundo Carvalho (2006), não importa se é verdadeiro ou falso desde que seja possível convencer seu adversário.

            Com a narrativa dialética admitimos que para que exista efetivamente a verdade é preciso de um conteúdo efetivamente racional e objetivo. Portanto a tese e sua contradição, a antítese deve levar de forma unívoca a uma conclusão, portanto a verdade. É preciso que nessa narrativa o educador aborde os elementos físicos (práticos) e metafísicos ou racionais. Esse deve ser o verdadeiro conhecimento.

 

EPICURISMO, ESTOICISMO E METÓDICO.

 

            Com a dissolução das cidades-estado (polis), muitas escolas surgem no período helenístico e todas de alguma forma estão relacionadas com uma atmosfera individualista. O átomo de Demócrito, por exemplo, é utilizado como fundamento epicurista e justifica a ideia de individuo solto como um átomo sem direção, objetivo e planejamento.

            Segundo os epicuristas: o mundo empírico (da experiência) é a atmosfera a ser vivenciada a partir dos princípios norteadores “dor e prazer”. Portanto conduz o individuo em um mundo puramente físico aceitar apenas os estímulos deste mesmo mundo empírico como justificativa de se satisfazer.

            Conforme o estoicismo o fundamento é o logos (razão) puramente físico na qual é fundamento de todas as coisas. Afasta-se do epicurismo, porém se fecha no interior da alma ou razão puramente materialista. Dessa forma leva o individuo ao determinismo e, portanto o conduz a certo conformismo em virtude da realidade.

            Para os metódicos com um ceticismo exacerbado propõe-se a suspensão do juízo, na medicina combatem os racionalistas dogmáticos bem como os empiristas também dogmáticos. Suspendendo o juízo, os metódicos eliminam toda e qualquer discussão a respeito das verdades ou das coisas em si. Nesse sentido se realiza as ações pelo bom senso, pelo pragmatismo ou mesmo por uma simples técnica. Apenas executam as ações por tradição.