Aristóteles Drummond: 64: uma seleção de notáveis

20/03/2014 13:17

No mundo da tecnologia da informação, é fácil explicar aos jovens o que foi a seleção de brasileiros notáveis que a Revolução de 1964 colocou nos postos mais importantes da administração

O Dia

Rio - No mundo da tecnologia da informação, é fácil explicar aos jovens o que foi a seleção de brasileiros notáveis que a Revolução de 1964 colocou nos postos mais importantes da administração. Todos chegaram aos altos cargos pela formação, reputação ilibada e prestígio junto à sociedade. Em 1964, foram poucos os casos de corrupção, nunca atingindo o primeiro escalão. Não se pode negar austeridade e probidade no uso do dinheiro público. Apenas acusações desprovidas de fundamentos. Nada parecido com o que tem surgido nas operações mais recentes da Polícia Federal.

A economia foi restaurada por homens respeitados — e admirados — nos meios financeiros e acadêmicos. Roberto Campos, Otávio Gouvêa de Bulhões, Mário Henrique Simonsen, Ernane Galveas e Delfim Netto são referências. O último, ministro em três governos militares, é consultado nestes anos de PT, e na redemocratização exerceu cinco mandatos no Congresso.

No setor de transportes, quando tanto se fez pelo Brasil, notáveis como Mário Andreazza — talvez o maior tocador de obras de todo o período republicano — e Eliseu Resende empreenderam projetos marcantes. Na energia, Dias Leite, Mário Bhering (ligado a Tancredo Neves), Costa Cavalcanti, Hélio Beltrão (na Petrobras) e o grande ministro das Minas e Energia César Cals.

Na Justiça, os mais respeitados no mundo acadêmico, como Milton Campos, Alfredo Buzaid, Gama e Silva, Petrônio Portela, Ibrahim Abi Ackel. E os advogados sabem dos ministros do Supremo nomeados, ilibados, como Leitão de Abreu, Célio Borja, Oscar Dias Corrêa, Xavier de Albuquerque, Otávio Galotti, Antonio Neder. Na política externa, homens da estatura de Magalhães Pinto e de Juraci Magalhães, diplomatas como Vasco Leitão da Cunha, Mário Gibson Barbosa, Saraiva Guerreiro. Não foi uma equipe, mas seleção de pessoas de bem e competentes.

No mais, que “ditadura” era essa que fazia eleições e tinha uma oposição com brasileiros ilustres como Tancredo Neves, Ulysses Guimarães, Franco Montoro, Paulo Brossard e Itamar Franco, entre outros. E que contava com o apoio de políticos da respeitabilidade dos senadores Luiz Vianna Filho, Gilberto Marinho, Daniel Krieger, Filinto Müller, Petrônio Portela, Victorino Freire e José Sarney.

São provas os editoriais dos principais jornais, o apoio das lideranças empresariais e depoimentos como os do ex-presidente Lula de que, no governo Médici, o trabalhador tinha emprego e ganhava bem. Está registrado, e ele nunca negou.

Não se pode avaliar o movimento apenas com base em denúncias de atos de violência, que certamente ocorreram nos dois lados. Livros publicados pelos envolvidos estão aí para serem lidos, desde os de Jacob Gorender, David Aarão Reis, Alfredo Sirkis, entre os da luta armada, e ‘A verdade sufocada’, do coronel Brilhante Ulstra. E mais: as obras de Jarbas Passarinho, general Jaime Portela, os volumes da ‘História Oral do Exército sobre 64’, em meio à vasta bibliografia que conta a verdade. Fora daí, só ressentimentos, interesses pecuniários e revanchismo que não corresponde à alma brasileira.

Aristóteles Drummond
Jornalista

Fonte: http://odia.ig.com.br/noticia/opiniao/2014-03-20/aristoteles-drummond-64-uma-selecao-de-notaveis.html?fb_action_ids=706097179442315&fb_action_types=og.recommends&fb_source=other_multiline&action_object_map={%22706097179442315%22%3A271494813018800}&action_type_map={%22706097179442315%22%3A%22og.recommends%22}&action_ref_map=[]